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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Para Amiga Sortuda

Amiga, foi difícil te escrever isso. Tive que ler todos os e-mails que me mandaste. Como eu escrevia estranho! Como tu eras carinhosa! (vou mudar a minha pessoa e tu nem vais perceber...) Como assim “eras”? Ainda é! Mas, naquele tempo de 1º ano era diferente, vivíamos “livres” não tínhamos um peixe pra dar água...
O que eu poderia dizer de você? Ganhou mais uma vela no bolo.
Quando li nossos e-mails, vi um pouco da tua – da nossa história. Cada linha uma risada e/ou uma vontade de apertar meu próprio pescoço – como eu escrevia daquele jeito?
Lembro-me da ocasião em quem eu te vi pela primeira vez – acho que já te contei – não tem problema conto de novo!

1º allegro:
“A primavera entra de novo
Com Vivaldi tocando violino
E rindo, mais ele rindo
E eu quero mesmo é ficar sozinho”

Não fique com vergonha pelo jeito que eu escrevo psedocelomismo é assim mesmo.
Acho que você entrou com o caderno colado ao peito – eu fiquei olhando. Parecia a menos anormal naquela sala de gente doida, depois conclui que na verdade você era a mais normal; No primeiro dia deu vontade de falar contigo, mas sei lá. O que a gente seria sem nossa timidez?. Acho que depois eu inventei qualquer desculpa pra falar. Talvez você tenha percebido que era uma desculpa bem barata.
Fomos levando, até o tempo de agora. Acho que nesse caminho de montanha-russa nós nunca tropeçamos, se tropeçamos não chegamos a cair, ou caímos? Se caímos, levantáramos muito rápido – porque nem deu tempo d’eu ver.
E agora com mais uma primavera que você completa, poderá vir mais invernos iguais a todos que já viveu – não é praga –, mas é só pra deixar bem claro que eu vou estar com o aquecedor ligado. Um prazer enorme poder ver que você ta ficando velhinha, minha amiga maior.

Segundo a Eneida no livro Aruanda “... Se é dever dos cronistas fugir de assuntos pessoais para tratar dos coletivos, que está crônica valha para aqueles que não sabem o que é ter um amigo como o meu. Para aqueles que não souberam conquistar um amigo assim”.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Manolo


Na foto acima percebe-se que o Manoel sabe curtir a vida... Atentem para a sua camisa! olha onde ele vai pra manter a leitura em dia! quando não está com sua gata, claro!




“Ele entrou na sala, andando rápido – com passos larguissimos, como quem quer chegar logo no destino. O jeito excêntrico chamou todos os olhares, ele aproximou-se de nós e perguntou: O que vocês estão conversando?”
Relato anônimo sobre Manoel.


Tal relato seria irrelevante, se eu não falasse que este era o 1º contato de Manolo com a sala. Nesta hora não me agüentei. Por pensar tratar-se de um carinha fazendo graça. Encostei-me na parede e fiquei meia hora rindo, depois de retomado o fôlego ele estava intacto e eu acabado.
Estou falando aqui de um cara que vive a parte. Uns poderia dizer: ah, ele é pseudocelomado! Ou sofre de algum tipo de distúrbio. Mas é difícil defini-lo. Não brinco quando escrevo isso; ele é um caso a parte.
Nos dias de provas víamos o quanto ele se diferenciava, chegando a sala costumeiramente atrasado, perguntava a inspetora se aquela era a sua sala, mesmo depois de meses fazendo a prova na bendita sala... Ele sentava-se na cadeira mais afastada, e alguns segundo após ler a prova, soltava viscerais risadas, e ironias e comentários a respeito da prova. O que dava a entender que sairia dez. Depois perguntávamos como tinha sido ele respondia com a cabeça levantada e um tom sério: “é tirei zero”.
Após um tempo de convívio conosco, nós descolamos para ele o pseudônimo: “mestre”. Porque?

Algumas de suas frases explicariam o que eu tenho a dizer:
Gotas de sabedoria:
“O diferencial é o natural”
“Quando se está com dor de cabeça, se está com um conflito de idéias!”
“O que atrapalha na matemática são os números!”

Quem é Manoel? Está foi uma pergunta que me fiz antes de escrever, sempre tentei decifra-lo, ora parecia um sujeito que queria apenas chamar nossa atenção, ora parecia um cara que buscou a solidão (rimou!), mas acho que "Manusquel" é mais do que isso. Talvez um cara que viva neste mundo, vive e sobrevive, no entanto não sabe que está nele. É o que eu quero acreditar.

Boa Sorte Manoel.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Paulo, Doente?

Por que ficar andando por todo o bairro? Perguntava-me durante todo a minha infância. Havia um sujeito que morava próximo a minha casa chamava-se Paulo, mas eu nunca aprendi a chamá-lo pelo nome, eu ficava ali na janela ou sentado a beira da porta, e durante uma hora via-o passar umas duas vezes, como observador, apelidava-o de “Paulo Doente”, isso por que ele era “diferente” um senhor de uns 45 anos, as roupas velhas e as sandálias novas, uma casa bonita, o único que eu conhecia que era magro, mas era gordo. Explico; as suas pernas eram finas, os braços longos e mais finos ainda, mas a barriga era enorme, tinha medo de ficar perto dele porque achava que a barriga poderia explodir a qualquer momento. Lembrei agora! Outro dia minha tia disse que em uma fase mais inicial da minha vida chamava-o de “Paulo Fumão”, isso se devia porque a todo o momento o herói andava com um cigarro na boca, e às vezes, pegava-os do chão...
Porém havia uma coisa que me instigava no Paulo, ele não somente andava; ele andava e pensava! Pensava em que? Isso foi uma indagação constante. O que havia se passado na vida daquele homem. O que o levou a passar o dia andando sem rumo. Depois de crescido não me perguntava mais - saquei a onda do Paulo - ele andava para não ficar neste mundo, ele vivia a parte.
Ontem, ao chegar em casa eu o vi na rua, em suas andanças, que já não são como eram antes - agora é mais lento, o pensamento já não é mas igual ao de outrora, o tempo chegou para ele. Mas, houve um fato inédito, ele aproximou-se de mim, aquela barriga enorme, os olhos semifechados, e algo que eu nunca havia notado, o rosto trazia seqüelas de um derrame, a palavra eu nunca havia ouvido sair da sua boca. Chegou e indagou-me:
_ Tem cigarro? Disse o Paulo.
_Não. Respondi de forma seca e surpresa.
_Tá bom. Disse ele.
Foi só, ele se virou e saiu. Todos ao redor ficaram olhando. Não sacaram que ali havia um grande sujeito, que leva sua vida sem incomodar ninguém, e que no fundo só quer fumar mais um cigarro, em resumo ali tem um filósofo, um cara que já se descobriu, como eu sei? Eu só sei.
Agora tenho uma certeza: Nós somos Young!